sexta-feira, 15 de abril de 2022

Por caminhos de medos, raminhos e reis...

Fomos à arriba da Costa
neste Domingo de Ramos
visitar os coloridos raminhos
os seus verdes e belos trilhos
e pacíficos azuis mares chãos...

Entrei pela Mata dos Medos
a lembrar mêdos e tempestades
e após alguns passos pude ver
que estes médos são antes
dunas de areia que o vento
deixou nas encostas litorais.

Das arribas ao Cristo Rei,
deixando os medinhos atrás,
foram mais uns passinhos
até avistar o Tejo
e, de alma meio cheia,
respirar agora mais!...



Um abraço, Maria



   Adobe Creative Cloud Express



* MEDO (pronúncia "médo"). Duna ou monte de areia, geralmente formado pelo vento, nas zonas litorais. Derivação regressiva de médão. Não está relacionada com o medo (temor, receio; pronúncia "mêdo"). (Francisco Santos in Gentes de Almada no fb)

 

 

Mais:

 Paisagem Protegida da Arriba Fóssil da Costa da Caparica

Cristo Rei

  

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Janeiras, Rainhas e Reis...

 

Nesse dia frio de Reis,

noite gelada de Janeiras,

aqueçam-se aí ao Madeiro

e cantem até de madrugada!


De porta em porta,

outrora cantávamos!

Agora com os Janeireiros ficamos

e, companheiros de reis, entoamos...


A Novo Ano nascido,

Oiro, incenso, mirra e guia

a todos desejamos!

Luz, amor, força, bálsamo, cura

e boas energias!


E lembramos antigos cantadores,

ecoando nas noites frias

dos primeiros dias do ano e de Reis:

 
"Já as janeiras vieram,
os Reis estão a chegar,
Os anos amadurecem:
Estamos para durar!
 
...
 
Ó de casa, alta nobreza,
Mandai-nos abrir a porta,
Ponde a toalha na mesa
Com caldo quente da horta!..."
 
(Vitorino Nemésio, Janeiras)
 
 
"Aqui  vimos, aqui vimos,
aqui vimos bem sabeis,
vimos dar as boas festas
e também cantar os Reis!
 
...
 
Levante-se daí senhora
Desse banco de cortiça
Venha nos dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça.
 
Levante-se daí senhora
Desse banquinho de prata
Venha nos dar as Janeiras
Que está um frio que mata."
 
(Cântico tradicional das Janeiras, excertos; Fornos de Algodres)


"Senhora dona de casa
Raminho de salsa crua
à sua porta honrada
Põe-se o Sol e nasce a Lua. 

Debaixo do meu chapéu
também tenho os meus atilhos
Dês lhe dê muita saúde 
Para criar os seus filhos."

(Cântico tradicional das Janeiras, excertos; Carrapateira)
 
 

E porque esta caminhada é de Janeiras

aqui estamos à sua porta!

Caminheiros somos muitos,

e Janeireiros também!

Vimos cantar o que importa e desejar

a todos muita Saúde e Vidas cheias!

 

Imagem: Ao Madeiro!, Portugal.


E lembrar que nunca desistam de procurar a sua estrela, por mais difíceis que sejam os caminhos da vida. 

Que acreditem sempre que a sua luz está presente, magia, apesar de por vezes não a vermos. 

Que sempre que caímos durante o percurso, aprendamos com humildade e tenhamos coragem para nos levantarmos e continuarmos. 

Que valha a pena a viagem!

 

"Nessa noite, depois da Lua ter desaparecido..., Melchior... viu que havia no céu, a Oriente, uma nova estrela.

A cidade dormia... 

E sobre o mundo do sono... a estrela acendia, jovem, trémula e deslumbrada, a sua alegria. 
 
E Melchior deixou o seu palácio nessa noite." 

(Sophia de Mello Breyner Andresen - Os três reis do Oriente. Livraria Figueirinhas, Porto, 2002, p.29)
 
 
Imagem: Foto ilustração/capa "Os três reis do oriente"

 

Bom Ano, Prósperas Janeiras, Feliz dia de Reis!

Um abraço \0/ Maria 


Mais:

 

sábado, 31 de outubro de 2020

Entre Luas...

 Do you see

the Blue Moon

olive tree?

 

Imagem: "Blue Moon" in https://flic.kr/p/2k1Qwve

 
Do you see

the Blue Moon

"Cactaceae"?

 

Imagem: "Blue Moon" in https://flic.kr/p/2k1PY49


Do you see

all

 

Imagem: "Lua Cheia de outubro", Portugal, 2020.


And the color 

of sunset sky?

 

Imagem: "Sunset sky" in https://flic.kr/p/2k1Rf9E

 

Então

a viagem

vai começar... 


Esta Lua de outubro
Cheia, Azul, rosa...
Nasceu ainda agora
nas palmas, nos olivais...
É mágica, é feiticeira!
Nasceu em viagem
e já mora
no alto do céu
que o sol pintou para ela...

 

 

Mais:

Dizem que é uma Lua Azul

porque é duas vezes Cheia no mês.

Dizem que é a Lua da recolha,

do acolhimento, do regresso a "casa",

da partilha, da travessia, 

da longa viagem...

 

E esta lua está aí

iluminando a nossa passagem!

 

Um abraço, 

Maria

 

 

terça-feira, 9 de junho de 2020

Vivam! A penas...

"Vivam, apenas

Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.

Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.

Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.

E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.

Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!"

(José Gomes Ferreira - Vivam Apenas)

 Fotos: Praia Fluvial de Fróia. Sobreira Formosa, Proença-a-Nova, Portugal.

Que a nossa jornada
não seja apressada!
Que seja formosa,
plena...

E que valha a pena
_/\_

Um abraço, Maria

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Natal

 "Natal

    Já não sei dizer Natal como sabia,

    quando meu Natal, em minha aldeia,

    era um presépio de musgo e de areia

    e um menino adorando o Deus menino.

    A família inteira, sentada ao borralho,

    fazendo horas para a missa do galo

    nessa noite fria cujo fogo nos aquecia

    e nos dava alento para o ano inteiro.

    Vou reaprender a dizer Natal, este Natal,

    para que possa voltar a ser

    alma de pássaro criança,

    nestas memórias de infância.

    Para que Deus me dê

    nova estrela de Belém

    que nos leve ao mais além.

    Mas serão precisos muitos desses dias

    para que, mais uma vez, possa nascer,

    em figura humana, o meu Messias."
    
José Adelino Maltez (2002). Sphera, Spera, Sperança. Editora Sopa de Letras.

Imagem: "Natal". Beira, Região Centro; Portugal. 2018.

Em Terras de Xisto distantes,
no coração de Portugal,
vagueiam gentes, dores, passos e memórias
próximas de nós.
Lá, nessas terras, ainda há Natividade, Infância...
Ainda há verde, vida, branco...
ainda há Natal, ainda há esperança.

Bom Natal
_/\_
abraço, Maria

domingo, 23 de abril de 2017

Terra-Mar...


Celebrando o Dia da Mãe Terra,
lembramos o que um dia
Sir Arthur C. Clarke
disse dela:
"Quão inapropriado chamar Terra a este planeta, quando é evidente que deveria chamar-se Oceano"

Sim, Sir Arthur... 
porque será que chamamos Terra ao nosso lar?
Talvez porque há muitas, muitas eras atrás, 
aprendemos a caminhar... 
e esquecemo-nos que antes 
só sabíamos nadar... 

Neste abril de ar sufocante e quente
fomos ao encontro da Terra-Mar,
aquela que fica numa Arrábida temperada,
serra vigilante,  a orar.

E nela, do cimo da serra, 
avistámos David e What a Wonderful World!...
"as árvores verdes,
os céus tão azuis, 
e também as nuvens tão brancas"
o mar e as cores,
as torres e vigias, 
o Forte, os Monges e o Convento, 
as flores e os licores,
e "os rostos das pessoas que se vão"...

Imagem: "Serra da Arrábida" (1). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

E de Sebastião, que aqui viveu, 
da Gama, ouvimos murmurar-nos
o "Itinerário" da sua "Serra-Mãe":
"É só por mim é que eu vou
e as bermas do meu caminho
são as passadas que dou.
E não me digam que não,
que eu não me importo de ir só;
minha Esperança, na minha
voz comovida espelhada,
sabe encher a solidão
das curvas mudas da estrada."

Imagem: "Serra da Arrábida" (2). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

E andando à beira serra,
ainda mais para trás..., 
recordamos a Terra
talvez como ela era
há tantas e tantas eras,
caminhando no silêncio, solidão,
uma lanterna, procurando a paz.

Imagem: "Serra da Arrábida" (3). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

Entre trilhos e fendas,
subindo, descendo,
a vida crescendo dentro.
E no fundo, cá em baixo,
em profundas águas tranquilas, transparentes,
dos recantos, nas baías protegidas, 
do mar azul e calmo,
deslizando branco sai,
tocando leve a imensidão,
o barquinho sereno vai.


Imagem: "Serra da Arrábida" (4). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

Pontinho branco,
lembrando aquele outro "pálido ponto azul"
em Carl que tanto amou, a Terra. 
 
 What a Wonderful World!
We see... and you?

Gratidão por toda esta jornada, Terra... Serra... Mar...!
Um abraço, Maria

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Passar. Devagar, devagarinho...



Nasceram aqui, à beira da estrada,
e assim, juntinhas, quiseram ficar.
Para abraçar quem por aqui passar
e lembrar de sempre voltar.


Há estradas assim... na vida.
A gente vai sem saber se volta
ou se há volta a dar para voltar
ou se, na volta, há novo ir, ficar, lugar.

São duas? Não... são mais!...
Com todo o vagar para abraçar.
Ao passar, há que ser passarinho,
pousar, dar, apreciar, agradecer,
e seguir, devagar, devagarinho...

Um abraço,
\o/
Maria

Foto: "The Cool Hunter" in ALENTEJO SEMPRE
"A dois minutos da minha aldeia, entre Santa Luzia e Garvão... Um belo arco vegetal, quebrando a monotonia da Paisagem!"
(Felismina Costa, 29/06/2016)