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sábado, 31 de dezembro de 2022

Um Dois Três...


E lá vem o Novo outra vez!

 

Que seja muito Azul, muito verde, 

muito branco, dourado...

 

E que lá do alto a gente possa mirar 

novos e bons trilhos para andar!

 

Com vistas desafogadas,

autênticas, naturais!

 

Respirar.


E sempre com muita saúde, sorte, prosperidade

E Paz.


Imagem: "Storks1" in  https://flic.kr/p/2o8NzJA  


Imagem: "Storks2" in https://flic.kr/p/2o8QNo8

Imagem: "Storks3" in https://flic.kr/p/2o8QNqx 

Bom Ano!

Abraço 🤗 Maria

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Natal

 "Natal

    Já não sei dizer Natal como sabia,

    quando meu Natal, em minha aldeia,

    era um presépio de musgo e de areia

    e um menino adorando o Deus menino.

    A família inteira, sentada ao borralho,

    fazendo horas para a missa do galo

    nessa noite fria cujo fogo nos aquecia

    e nos dava alento para o ano inteiro.

    Vou reaprender a dizer Natal, este Natal,

    para que possa voltar a ser

    alma de pássaro criança,

    nestas memórias de infância.

    Para que Deus me dê

    nova estrela de Belém

    que nos leve ao mais além.

    Mas serão precisos muitos desses dias

    para que, mais uma vez, possa nascer,

    em figura humana, o meu Messias."
    
José Adelino Maltez (2002). Sphera, Spera, Sperança. Editora Sopa de Letras.

Imagem: "Natal". Beira, Região Centro; Portugal. 2018.

Em Terras de Xisto distantes,
no coração de Portugal,
vagueiam gentes, dores, passos e memórias
próximas de nós.
Lá, nessas terras, ainda há Natividade, Infância...
Ainda há verde, vida, branco...
ainda há Natal, ainda há esperança.

Bom Natal
_/\_
abraço, Maria

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Do Madeiro ao Cante...



Se tu visses o que eu vi...
sob este céu de Além-Tejo
de gente humilde,
paciente, persistente,
que encanta e
que à terra canta
em hino de embalar
seu jeito de ser,
estar, falar
agradecer e celebrar...

  _/\_

Neste Natal fomos caminhar...
até ao Alentejo,
ouvir as histórias 
à roda da fogueira,
que o vento bravio conta,
quando à noite sopra frio...

E fomos também ouvir, aprender e participar,
no "Cante ao Menino"
que partilhamos aqui
para que todos possam apreciar...
guardar nas nossas memórias,
e nos nossos corações,
preservar e sempre cantar!

Um abraço\o/
e um grande bem-haja a todos os que participaram, contribuíram
e mantém viva esta tradição, a ecoar nas noites frias dos anos,
Maria



Do Madeiro de Natal ao "Cante ao Menino" - Tradições e Celebrações de Natal em Messejana, Alentejo - Portugal.
From the Yule Log to the "Cante ao Menino" - Christmas Traditions and Celebrations in Messejana, Alentejo - Portugal.

 "O Cante Tradicional ao Menino Jesus de Messejana continua vivo nas vozes desta gente que o guarda na memória com vontade de o cantar, preservando assim a tradição desta terra. Todos os anos, na quadra Natalícia, em Messejana, se faz ouvir o majestoso «Cante ao Menino».
Além de se cantar o amor à terra, aos campos, à vida no «monte», também se canta a religiosidade, sendo um momento para apreciar e usufruir de toda a solenidade do canto alentejano de carácter religioso." (In Cante Tradicional - Menino Jesus - Tradição de Messejana, 2014)

Mais sobre o Cante Alentejano:
Património Cultural Imaterial da Humanidade (UNESCO), o Cante, em movimento rítmico, combinando os passos em harmonia, mantendo o ritmo mais lento que o batimento cardíaco, concentrando-se no som tranquilizante, para amenizar, muitas vezes, o lamento e a consciência da dor, para, em grupo, sobreviver.
No Cante há uma comunicação, sempre presente, com a Terra e uma associação com a plenitude da vida cósmica.


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Azeitona, tua história para contar...



A todos os que caminham pelos olivais... andando, acompanhando, cuidando, colhendo, transformando e renovando (se)!

Ao azeite novo, a brilhar, uma história para nos contar...

Abraço, Maria





  
'Azeitona-2012'



Sobre a Apanha da Azeitona:

Em Portugal, o período da apanha da azeitona vai de Outubro a Janeiro, variando consoante a diversidade das oliveiras, terrenos, clima e fenómenos meteorológicos do ano.
A sabedoria popular aconselha:

«Quem vareja pelo Natal
Fica-lhe o azeite no olival.
Quem azeite colhe antes de Janeiro
Azeite deixa no madeiro.»

Mas também...

«Para azeite sobrefino
Apanha-me no mês do Menino! (Jesus)»

...
 Em finais de Novembro
Azeitona fomos apanhar, 
Que o nosso olival
Não podia mais esperar!

São várias as condições adversas em que este trabalho decorre, por ser o período mais rigoroso do inverno e longas as distâncias entre os olivais e os locais de habitação. 
Os frutos da oliveira são colhidos à mão, e com auxílio de um ripo (pequeno pente de madeira de cabo curto, que se maneja com uma só mão). As azeitonas assim colhidas vão caindo sobre grandes panos (panais) colocados junto da oliveira, para o efeito. Este trabalho é feito com auxílio de escadas. 
Existem outros processos de apanha da azeitona, consoante as características dos olivais e do terreno, os hábitos e usos locais, mais modernos ou tradicionais (ex.º processos mecânicos de apanha por vibração; ou o varejo, feito com auxílio de varas compridas para varejar a azeitona). O varejo tem o inconveniente de destruir os ramos mais tenros da oliveira e assim diminuir a formação dos rebentos no ano seguinte. Se a vara não for flexível o suficiente e a pessoa que a maneja, hábil e sensível, tendo sempre a preocupação em bater os ramos da base para as pontas, os rebentos que têm de frutificar no ano seguinte sofrem pesadas mutilações.

Após a colheita, a azeitona é transportada dos campos para casa, antigamente à cabeça de mulheres, às costas de homens, em carros de bois ou no dorso de muares, hoje com tractores ou em carrinhas.

Nos alpendres das casas, em locais arejados, a azeitona colhida é limpa em joeiras (crivos ou cirandas), espécie de peneira para separar as folhas e ramos dos frutos.
Depois de limpa, procede-se ao seu armazenamento, em caixas ou ensacada, até ser transportada para o lagar.

Sobre a Extracção de Azeite:

Uma vez colhida, a azeitona é transportada para o lagar para ser laborada. Este processo é feito em caixas plásticas, a granel ou devidamente ensacada.
 No lagar seguem-se as seguintes fases no processo:

«1- Recepção: ao entrar no lagar, as azeitonas são analisadas e classificadas, de acordo com a sua variedade e estado de conservação;

2- Pesagem e lavagem: em contentores apropriados, procede-se à lavagem da azeitona, com água corrente, para separar as folhas, ramos e outras impurezas. Seguidamente é pesada e colocada em tapetes rolantes, a fim de ser conduzida para a moenda;

3- Moenda: a moenda consiste na trituração da azeitona, até formar uma pasta. Esta moagem é ajustada consoante o grau de maturação da azeitona, para uma melhor extracção do azeite; 
4- Termobatedura: a massa da azeitona, resultante da moenda, é batida e aquecida, simultaneamente, numa termobatedeira, a temperaturas que podem variar entre os 30/40 graus;
 5- Extracção: a extracção é feita numa linha contínua de 2 fases. A massa da azeitona passa numa centrífuga (decanter horizontal de 2 fases) que separa o azeite do bagaço;
6- Azeite: o azeite segue para outra centrífuga (vertical) para o isentar de impurezas;
7- Bagaço: ao bagaço é-lhe retirado o caroço para queimar na caldeira. O resto da massa é colocado numa estufa para posterior valorização;
8- Verificação, armazenamento, enchimento e entrega: o azeite obtido é verificado quanto ao seu grau de acidez. É armazenado em depósitos e entregue ao produtor.
Ou, também, e à medida das necessidades, é loteado, filtrado, engarrafado e rotulado, numa linha própria para o efeito, sendo depois comercializado.»

 Um agradecimento especial ao Lagar Monticoop, que nos recebeu nas suas instalações e demonstrou como este processo se desenrola.

Mais informação sobre a apanha da azeitona e o azeite: «Tecnologia tradicional do azeite em Portugal». Benjamim Pereira. Ed. Centro Cultural Raiano, Idanha-a-Nova. Julho 2005.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Velho Portugal...


Velhos tempos, velhos campos, velhos...

"... o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao teu lado a olhar-te com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver..."
(Mafalda Veiga, Velho)



"... mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada 
pra receber daquilo que aumenta o coração."
(Mafalda Veiga, Restolho)