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sábado, 31 de outubro de 2020

Entre Luas...

 Do you see

the Blue Moon

olive tree?

 

Imagem: "Blue Moon" in https://flic.kr/p/2k1Qwve

 
Do you see

the Blue Moon

"Cactaceae"?

 

Imagem: "Blue Moon" in https://flic.kr/p/2k1PY49


Do you see

all

 

Imagem: "Lua Cheia de outubro", Portugal, 2020.


And the color 

of sunset sky?

 

Imagem: "Sunset sky" in https://flic.kr/p/2k1Rf9E

 

Então

a viagem

vai começar... 


Esta Lua de outubro
Cheia, Azul, rosa...
Nasceu ainda agora
nas palmas, nos olivais...
É mágica, é feiticeira!
Nasceu em viagem
e já mora
no alto do céu
que o sol pintou para ela...

 

 

Mais:

Dizem que é uma Lua Azul

porque é duas vezes Cheia no mês.

Dizem que é a Lua da recolha,

do acolhimento, do regresso a "casa",

da partilha, da travessia, 

da longa viagem...

 

E esta lua está aí

iluminando a nossa passagem!

 

Um abraço, 

Maria

 

 

terça-feira, 8 de março de 2016

Por portas de flores



Há portas assim...
que se abrem sem fim,
para campos floridos de fevereiro,
que poderiam ser de janeiro, de março, abril e maio também...
 
Onde brancas borboletas pacíficas brincam com as cores,
bebendo o néctar das flores.
E graciosas mariposas voam ao anoitecer,
por caminhos e rios de luz,
tecendo montanhas de fios até adormecer...

Entrem,
experimentem percorrer :)


Imagem: Campos de fevereiro (1). Fev. 2016, Portugal.



Imagem: Campos de fevereiro (2). Fev. 2016, Portugal.

Imagem: Campos de fevereiro (3). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (4). Fev. 2016, Portugal.



Imagem: Campos de fevereiro (5). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (6). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (7). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (8). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (9). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (10). Fev. 2016, Portugal.
Imagem: Campos de fevereiro (11). Fev. 2016, Portugal.
Até à próxima caminhada!
Maria

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Voltar... a dançar com o olival...



Não sei porque tão teimosamente irracional te procuro...
entre o frio e a geada,
na magia do despertar!

Imagem: Despertar da Natureza. Nov. 2015, Portugal.

E continuo a procurar,
no tempo parado,
para contigo dançar,
ao sol também...

Imagem: Olival. Nov. 2015, Portugal.

Volto para te abraçar,
e entre teus braços inteiros,
um abraço cheio te dar.

E me recordas,
e me acolhes,
apesar do teu cansaço,
e aquelas velhas memórias
começas a relembrar:


Imagem: Oliveira (1). Nov. 2015, Portugal.

 Quando criança,
em mim te balouçavas,
e entre as minhas frias saias,
caías e te levantavas,
e tanto, tanto...
que a gente voava, voava!" 

Será por isso que te procuro?
Para que não me deixes esquecer,
ande por onde andar,
de quem sou, 
de como é bom voltar!
Te amar e abraçar.


Imagem: Oliveira (2). Nov. 2015, Portugal.

E a tua, e a nossa, história contar:


Imagem: Azeitona em Oliveira. Nov. 2015, Portugal.


"Entre tantos caminhos,
campos e flores...
E figos, de todas as cores...
E tantos sabores e odores!

Entre tantos...
velhos e novos rostos,
tantos trevos e
tantas folhas...

Com minhas mãos te encontro...
E subindo escadas pra te apanhar,
suavemente te enlaço, penteio,
colho... e me enlevo...

E te ouço,
 levemente caindo,
colorindo tua saia,
verde, reluzente...

E em pausa,
enquanto como...
Tu esperas
que te leve a casa...

Pra cirandarmos ao serão,
e te joeirar,
de novo...
quando te limpo e escolho.

Então te junto, azeitona,
pra depois te transportar
a lagar,
que te há-de laborar.

E te acompanho...
pesando, lavando,
andando e rolando...
E te aprendo a transformar.

Até separares o teu bagaço,
e sem o duro do fruto,
ardes a iluminar...
E o que sobra da tua massa,
em estufa, ainda a valorizar.

E pra ti olho, azeite!
Te vejo límpido.

Rolando até mim,
te vejo voltar...
sabendo à alma
das gentes, 
ares, flores,
campos e tempos,
que te ajudaram a criar.

E em azeite a brilhar...
oliveira,
a história de ti...
da gente,
pra contar."


Imagem: Azeite. Nov. 2015, Portugal.

Um abraço a todos,
aos que continuam a caminhar,
a dar aos pés, a dar os braços,
para dançar com o olival.

\o/
Aos que connosco caminharam,
ajudaram, compartilharam,
se renovaram,
e com a alma cheia ficaram.
Nós, também.

Obrigada 

_/\_

Maria





Mais: Sobre a Oliveira
"Árvore de uma riqueza simbólica muito grande: paz, fecundidade, purificação, força. Em todos os países europeus e orientais, a oliveira reveste-se de significados semelhantes.
Na Grécia, era consagrada a Atena (deusa da fecundidade e da sabedoria, protectora das crianças, inspiradora das artes e dos trabalhos da paz...) e, em Roma, a Júpiter (a divindade do céu, da luz diurna...) e a Minerva (deusa das artes e da sabedoria...).
Nas tradições judaico-cristãs, era símbolo da paz, do ouro e do amor.
No Islão, é a árvore central, o eixo do mundo, símbolo do Homem universal. O azeite, porque extraído dessa árvore, aparece associado à luz, que alimenta as lâmpadas, e à pureza.
De forma semelhante, no esoterismo ismaelita, a oliveira no cimo do Sinai é uma representação do Imã: é simultaneamente o eixo, o Homem universal e a fonte de luz.
No Japão, simboliza a amabilidade, bem como o êxito nos estudos e nos empreendimentos civis ou guerreiros: árvore da vitória.
Segundo uma lenda chinesa, a madeira de oliveira neutralizaria alguns venenos e peçonhas: o que lhe confere um valor tutelar. (...)" (In Dicionário dos Símbolos. J. Chevalier; A. Gheeerbrant. Lisboa: Ed. Teorema, 1994; pp.486-487)

"A cultura da oliveira, «a mais prestigiada árvore mediterrânea», e o trabalho da extracção do azeite conhecem-se na bacia do Mediterrâneo desde a IV dinastia egípcia, altura em que se importou azeite da Palestina e da Síria, e, no final da sua história, da Grécia. Já então, além dos usos alimentares, o azeite era amplamente utilizado em unguentos, medicina, perfumaria e inumações.
Em Portugal o nome da árvore é de origem latina, mas o nome do fruto é de raiz árabe. Jorge de Alarcão diz que «não é seguro terem sido os romanos os introdutores da oliveira no nosso território, é muito possível que esta árvore tenha sido trazida pelos Cartagineses, se não mesmo por Fenícios». A preferência alimentar dos romanos deve ter incrementado o seu cultivo «sem contudo a propagarem para o norte pois os lusitanos utilizavam a manteiga como gordura». Mas é certamente aos romanos que devemos a maior parte da herança dos sistemas e métodos usados na extracção do azeite. (...)
A oliveira começou, como todas as plantas cultivadas, pela simples utilização da variedade bravia, esparsa e afogada no matagal mediterrâneo. A sua longevidade conta-se por milénios (...) Aceita-se que na Turquia continuam em produção árvores plantadas pelos romanos. O olival é assim a cultura mais estável que existe (...) Para os gregos é uma árvore não plantada pela mão do homem, germe de si mesmo nascido, que ninguém ousaria arrancar pelas próprias mãos porque olham para ela os deuses de olhos claros (Sófocles, Édipo em Colono).
Acomoda-se «a quase todos os terrenos, dentro da área que se poderá considerar o clima mediterrâneo clássico, até um limite em altitude que se fixa, em Portugal, em torno dos 700m». Nos primórdios da sua expansão, ela aparece associada a culturas mimosas nas cinturas das povoações; partilha depois espaços agrários mais amplos com outras culturas; e expande-se e imiscui-se por surgências rochosas e terrenos esqueléticos, testemunhando um dos mais surpreendentes e épicos desafios que o nosso homem do campo travou, num passado recente, com as condições adversas do meio natural. (...)
Hoje, essa nobilíssima árvore aparece despojada de cargas simbólicas e cultiva-se ou arranca-se conforme ditames de racionalidade económica de um presente em franca mutação. Nesse processo de desvalorização, Orlando Ribeiro viu o «símbolo do declínio de uma civilização agrária». (In Tecnologia tradicional do azeite em Portugal. Benjamim Pereira. Centro Cultural Raiano/C.M. Idanha-a-Nova: Julho, 2005; pp.13-139)

Oliveira, árvore que aprendeu a partilhar e a conviver em paz com todas as outras, a árvore que estamos a perder e a deixar ficar para trás. E com ela, nós também.
Maria, Novembro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Setembro lunar...


Em setembro veio a Super Lua Cheia,
e com ela, também, um eclipse total lunar:

A pouco e pouco, desmaiando,
vimos como se sumia no ar,
com a sombra próxima da Terra
na sua face, brilhante,
movendo-se, devagar...
 Espelhando-se nela,
conversando, redondas,
até o eclipse passar.

Que diriam uma à outra,
neste encontro de luz solar?

Pelo tom deste falar...
corando, baixinho, 
passeando toda a noite,
e toda a noite se guiando,
pelo Sol, testemunha circular.

Foi a 28, e há muito
não tinham um encontro assim!
As pessoas que sabem até dizem que
 foi no século passado, 
nesses loucos anos oitenta,
em que ainda viajávamos no tempo,
e saltávamos para a frente,
rumo ao futuro, esperançados.


Para lembrar esta Lua eclipsada de setembro,
amando a Terra em silêncio,
até 2033, 
quando as nossas memórias voltarem
a recordá-las, próximas,
nesse outro amanhã, talvez, 
de novo, mais uma vez...


Super Lua Cheia. Setembro, 27.2015.(1)

 
Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(2)

Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(3)

Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(4)

Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(5)

Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(6)


Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(7)

     

Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(8)


Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(9)



Eclipse Total da Super Lua Cheia. Setembro, 28.2015.(10)



Mais sobre o eclipse lunar total de setembro, 2015:
Observatório Astronómico de Lisboa: Eclipse Total da Super Lua

Leiam também o poema "O Eclipse", de António Nobre:

"Naquela tarde eu contemplava, ansioso,
A lua das marés:
Ia ver um fenómeno curioso,
Pela primeira vez.

Desde as sete horas que eu me achava pronto,
Pois vinha no jornal
Que se daria, às sete e meia em ponto,
O eclipse total. (...)"

Datado de 24 de Setembro de 1884, nas palavras do autor "Poesia impressionada por um eclipse, em 1884. Estava em Leça, então. Setembro, creio."
O poema tem sido investigado por diversos autores, uma vez que, naquela data exacta, não teria ocorrido um fenómeno semelhante. O eclipse total da Lua mais próximo aconteceu a 4 de Outubro de 1884.

(In
O ECLIPSE TOTAL DA LUA DE ANTÓNIO NOBRE, pp.4-14. APPA.)
E até 2033!
Abraço, Maria

Agosto, Agostinho...


Foi tempo de nascentes, 
de voltar ao gaspacho,
ao banho santo de 29,
acompanhados do belo luar,
e ao restolho, a lembrar
que é preciso nascer de novo,
recomeçar...


Rio Mira, junto a Castro da Cola; Ourique, Alentejo.

Andámos por nascentes de Milfontes, 
acompanhando o Mira, a serpentear, 
de sul para norte, desde a Serra do Caldeirão,
até ao mar, no Atlântico, desaguar...


"Onde o Mira se faz ao mar". Praia das Furnas, Vila Nova de Milfontes. Costa Vicentina, Sudoeste Alentejano.

Acompanhámos a Lua a crescer...
enquanto o dia se despedia,
azul, cor da terra,
e a alma, cheia, dizia:
amanhã, amanhã 
é outro dia...

Quarto Crescente de Agosto, Alentejo.

Preparámos e compartilhámos
um refrescante gaspacho!
E o saboreámos,
à sombra...
enquanto histórias contávamos,
e nos lembrávamos,
dos cerros e das gentes,
dos momentos, vividos, 
tão cheios de presentes...

Almocinho de gaspacho alentejano.

 E o restolho, ali tão perto!...
A lembrar que é preciso
"morrer e nascer de novo"...

Campos de restolho, planície alentejana.


E não sei quantos mergulhos demos!
para o banho virtuoso.
Mas cumprimos o ritual
do banho santo de 29,
neste oceano caloroso!
Mar de Atlas, salgado,
aos SSSSS, extenso,
impetuoso...

Oceano Atlântico (1).

Vimos o luar nascer
em cheio levantando ondas,
e um mar chão se transformando
a nossos pés lembrando
a força da atracção...

Oceano Atlântico (2).

Não sei se ficámos mais santos,
mas de alma cheia, guardámos,
a tradição de 29,
em nosso revigorado coração.


Oceano Atlântico (3).

Acompanhados do cheio luar...

Super Lua Cheia de 29 de Agosto.

E uma doce, eterna, recordação.

_/\_




Mais sobre o Banho Santo de 29: 

Celebração do dia de São João da Degola. Este ritual, herdado das antigas populações rurais do Algarve, traduz-se num banho de mar, tomado a 29 de Agosto para «curar diversas enfermidades» pois acreditava-se que a água neste dia era benta, boa para reumatismos e outras doenças. Mandava a tradição 29 mergulhos com a cabeça debaixo de água para que o banho fosse virtuoso.
As crianças e os menos afoitos eram incentivados a mergulhar. As mulheres vestiam combinações de flanela e os homens ceroulas. Crianças, rapazes e raparigas despiam-se para um banho animado com tropelias e mergulhos. Após o banho, juntavam-se todos, como uma grande família, à volta da merenda, da boa disposição e da música.
Também os rebanhos de cabras e ovelhas, oriundos de regiões distantes, desciam à praia acompanhados dos pastores e eram molhados e lavados um a um, apesar dos saltos aflitos...
Como relata Fernando Galhano em 1949, com especial relevo no livro «Festividades Cíclicas em Portugal» de Ernesto Veiga de Oliveira, trata-se de uma tradição muito antiga e de grande expressão na região.
Esta tradição chegou a estender-se das praias do concelho de Aljezur (Carrapateira, Bordeira e Odeceixe), no barlavento, aos areais de Lagos, Praia da Rocha, Quarteira e Manta Rota, no outro extremo do Algarve.
(In Carrapateira, História e Tradições. J. A. Sarmento; J. M. Marreiros (1993). Núcleo de Naturais da Freguesia da Bordeira, Casa do Algarve.)

E ainda se mantém!

"O banho santo era tradição
vinha sempre muita gente
em ceroulas e combinação
tomavam banho na água quente.

Mesmo que estivesse fria
tomavam banho também
diziam que era nesse dia
que o banho fazia bem."

(In "Banho Santo cumpre tradição")

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Até à Lua AzuL...


 

Este Agosto acordou ao luar :)

 
E nós fomos ver!...
 
Como uma bela lua azul,
agosto, acordou, a olhar,
e seu rosto brilhante,
sereno, lhe recordou:
- é tempo para brincar,
pular, caminhar,
conviver, agradecer,
descansar e amar...
 
 
"Lua Azul", amanhecer (1).
"Lua Azul", amanhecer (2).
"Lua Azul", amanhecer (3).
"Lua Azul", amanhecer (4).
"Lua Azul", amanhecer (5).
"Lua Azul", amanhecer (6).
"Lua Azul", manhã (7).
"Lua Azul", manhã (8).
"Lua Azul, manhã (9).

 Para todos nós, um revigorante mês de Agosto!


 Ah! E não podemos esquecer:
(i) De conversar com as estrelas: as Perseidas, que já andam por aí desde meados de Julho, encontram-se connosco para maior interacção entre os dias 9 e 15 de Agosto.
Para melhor observação, podemos juntar-nos à Lua Nova, que estará entre nós a 14, em zonas escuras, sem muita poluição luminosa, entre outras :);
(ii) De ir até à "Super Lua Cheia" de Agosto (sábado, 29);
(iii) De caminhar, sempre!


Mais info interessante:

- OAL: "O céu noturno em agosto de 2015

- Caminhar na e com a Natureza: "How Walking in Nature Changes the Brain" :)


Um grande abraço e até à próxima!
Maria
 

terça-feira, 5 de maio de 2015

Entre arribas e giestas floridas...


Caminhando entre o rio e o mar,
entre o campo e a cidade,
lá no alto do monte e das arribas,
entre fortes, 
mantos verdes,
prateados...

Luminosas e festivas,
encontrámos giestas amarelas,
Maias floridas,
tradição de muitas eras,
escondidas à vista e perdidas...

E trouxemos para partilhar,
nos renovar,
e a Primavera, 
celebrar!


 


Até à próxima,
sempre a caminhar... :)
abraço, Maria
 

 
 
📌 Mais:
 
🔗 No FB: Festa das Maias 

🖇️ No Folclore: Os Maios e as Maias
 
 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

À procura de um tesouro...


Diz-se que algumas almas ficam ligadas ao longo das eras,
ligadas por um chamamento antigo
que ecoa nas águas, nas terras, 
nas rochas e nas falésias...

Nesta caminhada a sul fomos à procura de um tesouro,
fomos a sítios que escondem dentro de si
uma energia misteriosa
e nos convidam 
à descoberta interior de nós mesmos.

E encontrámos nestes sítios
gente que guarda dentro de si
a força criadora, 
a entreajuda,
e os segredos do mar,
que só alguns conhecem
profundamente...

E vamos voltar :)

Imagem: Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Praia da Bordeira, Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Portinho do Forno, Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Igreja e fortaleza da Carrapateira (1673), dedicada a Nossa Senhora da Conceição.


Como começou esta caminhada!

Era 1 de Abril e fazia sol. 
Qualquer que seja a origem histórica da lenda, a Atlântida, continente submerso, permanece no espírito das gentes como símbolo de paraíso perdido e na predominância, em nós, de um elemento divino.
Talvez para nos recordar que os mais belos e preciosos dos lugares, dos momentos, dos tempos, são aqueles que compartilhamos com quem estimamos, aqueles que amamos, e preservamos.
A Carrapateira faz parte dessa «lenda», um lugar mágico, mítico e inesquecível. Cheio de histórias, memórias da gente. E quando há momentos que nos chamam, nós vamos :)

A história começou assim:
«Sempre acreditei que "Portugal não é Ibérico..." mas sim Atlântico. Agora, os investigadores descobriram novas provas sobre a antiga civilização da Atlântida, a mítica civilização mencionada por Platão há mais de 2400 anos.
A lenda fala de uma civilização, verdadeira, que teria existido algures no Oceano Atlântico e sido engolida pelo mar.
Os depósitos arqueológicos agora encontrados nas escarpas e falésias da Carrapateira - cerâmica, copos com resíduos de alimentos, ossos de animais isolados, misturados com seixos de praia arredondados e conchas do mar, fauna marinha microscópica - não deixam dúvidas. Existirão ainda, no seu interior, construções cujas paredes, voltadas de frente para o mar, foram destruídas pela exposição a ondas gigantes, mas com paredes laterais conservadas e intactas.

As camadas foram detectadas até 7m acima do nível do mar e estendem-se por centenas de metros para o interior. Investigadores internacionais, entre eles arqueólogos, geólogos, e especialistas em tsunamis, encontram-se no local e prosseguem com as escavações no interior.

"De repente, um monte de depósitos começaram a fazer sentido para nós. Esta foi uma grande onda ", disse C. Sinolakys, especialista em tsunamis da Universidade da Califórnia, que já participou anteriormente noutras pesquisas em busca da Atlântida.
"O estudo de tsunamis antigos está na sua infância e não temos, até agora, sabido realmente o que procurar. Mas os mais recentes e devastadores tsunamis, como o do sudeste asiático (2004), o do Chile (2010), e o do Japão (2011) têm-nos ensinado sobre o tipo de depósitos que deixam atrás de si.", acrescentou ainda.

A Carrapateira tem o raro condão de inspirar uma grande diversidade de sentimentos que enleiam os nossos sentidos e nos invadem completamente. Quando percorremos as falésias fustigadas pelo vento norte, olhamos o mar revolto embatendo nas rochas que se erguem nas águas azuladas e de repente nos viramos para as loiras areias onde a Ribeira da Carrapateira parece adormecer, somos possuídos por uma estranha vertigem que nos fascina e inquieta.
É um lugar diferente, feito de falésias, dunas, mar, vento, céu, luz, sol; uma imensa variedade de azuis e verdes cheios de encanto, muitos perigos nas escarpas escorregadias, e magia!


E escondida, uma civilização mítica e perdida... Até agora :)» (Maria, 1-04-2015)

E lá fomos nós ;)

Mais sobre a Carrapateira:

- Carrapateira - História e Tradições. J.A. Sarmento; J.M. Marreiros (1993).

- Lugares pouco comuns (2009): Spelaion.blogspot.pt