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domingo, 23 de abril de 2017

Terra-Mar...


Celebrando o Dia da Mãe Terra,
lembramos o que um dia
Sir Arthur C. Clarke
disse dela:
"Quão inapropriado chamar Terra a este planeta, quando é evidente que deveria chamar-se Oceano"

Sim, Sir Arthur... 
porque será que chamamos Terra ao nosso lar?
Talvez porque há muitas, muitas eras atrás, 
aprendemos a caminhar... 
e esquecemo-nos que antes 
só sabíamos nadar... 

Neste abril de ar sufocante e quente
fomos ao encontro da Terra-Mar,
aquela que fica numa Arrábida temperada,
serra vigilante,  a orar.

E nela, do cimo da serra, 
avistámos David e What a Wonderful World!...
"as árvores verdes,
os céus tão azuis, 
e também as nuvens tão brancas"
o mar e as cores,
as torres e vigias, 
o Forte, os Monges e o Convento, 
as flores e os licores,
e "os rostos das pessoas que se vão"...

Imagem: "Serra da Arrábida" (1). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

E de Sebastião, que aqui viveu, 
da Gama, ouvimos murmurar-nos
o "Itinerário" da sua "Serra-Mãe":
"É só por mim é que eu vou
e as bermas do meu caminho
são as passadas que dou.
E não me digam que não,
que eu não me importo de ir só;
minha Esperança, na minha
voz comovida espelhada,
sabe encher a solidão
das curvas mudas da estrada."

Imagem: "Serra da Arrábida" (2). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

E andando à beira serra,
ainda mais para trás..., 
recordamos a Terra
talvez como ela era
há tantas e tantas eras,
caminhando no silêncio, solidão,
uma lanterna, procurando a paz.

Imagem: "Serra da Arrábida" (3). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

Entre trilhos e fendas,
subindo, descendo,
a vida crescendo dentro.
E no fundo, cá em baixo,
em profundas águas tranquilas, transparentes,
dos recantos, nas baías protegidas, 
do mar azul e calmo,
deslizando branco sai,
tocando leve a imensidão,
o barquinho sereno vai.


Imagem: "Serra da Arrábida" (4). Setúbal, Portugal; Abril 2017.

Pontinho branco,
lembrando aquele outro "pálido ponto azul"
em Carl que tanto amou, a Terra. 
 
 What a Wonderful World!
We see... and you?

Gratidão por toda esta jornada, Terra... Serra... Mar...!
Um abraço, Maria

quarta-feira, 17 de junho de 2015

À procura de nascentes...


Nas encostas rochosas do rio
há uma fonte,
nascente ferrosa,
xistosa,
abandonada...
E dizem as gentes do sítio,
também, abençoada!
Porque as suas águas,
frias, subterrâneas,
curam intemperanças,
do corpo, e da alma.

Imagem: Fonte Ferranha, nas encostas do rio Ponsul. Parque Natural do Tejo Internacional, Portugal.

Fomos dar com ela, entre estevas, rosmaninhos, giestas e alecrins,
rosas albardeiras, salgueiros e afins...
espécies vegetais naturais que, generosamente, se misturam ao sabor.

Nestes solos das primeiras idades do mundo,
entre as ribas selvagens do rio 
e a raia seca, do país vizinho...

Há uma fonte,
nascente ferrosa, xistosa,
abandonada, abençoada...
e a sua água, generosa,
corre, sempre, para nós.

E há mais! 
Até à próxima caminhada :)
Abraço, Maria

quarta-feira, 8 de abril de 2015

À procura de um tesouro...


Diz-se que algumas almas ficam ligadas ao longo das eras,
ligadas por um chamamento antigo
que ecoa nas águas, nas terras, 
nas rochas e nas falésias...

Nesta caminhada a sul fomos à procura de um tesouro,
fomos a sítios que escondem dentro de si
uma energia misteriosa
e nos convidam 
à descoberta interior de nós mesmos.

E encontrámos nestes sítios
gente que guarda dentro de si
a força criadora, 
a entreajuda,
e os segredos do mar,
que só alguns conhecem
profundamente...

E vamos voltar :)

Imagem: Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Praia da Bordeira, Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Portinho do Forno, Carrapateira, Aljezur - Portugal

Imagem: Igreja e fortaleza da Carrapateira (1673), dedicada a Nossa Senhora da Conceição.


Como começou esta caminhada!

Era 1 de Abril e fazia sol. 
Qualquer que seja a origem histórica da lenda, a Atlântida, continente submerso, permanece no espírito das gentes como símbolo de paraíso perdido e na predominância, em nós, de um elemento divino.
Talvez para nos recordar que os mais belos e preciosos dos lugares, dos momentos, dos tempos, são aqueles que compartilhamos com quem estimamos, aqueles que amamos, e preservamos.
A Carrapateira faz parte dessa «lenda», um lugar mágico, mítico e inesquecível. Cheio de histórias, memórias da gente. E quando há momentos que nos chamam, nós vamos :)

A história começou assim:
«Sempre acreditei que "Portugal não é Ibérico..." mas sim Atlântico. Agora, os investigadores descobriram novas provas sobre a antiga civilização da Atlântida, a mítica civilização mencionada por Platão há mais de 2400 anos.
A lenda fala de uma civilização, verdadeira, que teria existido algures no Oceano Atlântico e sido engolida pelo mar.
Os depósitos arqueológicos agora encontrados nas escarpas e falésias da Carrapateira - cerâmica, copos com resíduos de alimentos, ossos de animais isolados, misturados com seixos de praia arredondados e conchas do mar, fauna marinha microscópica - não deixam dúvidas. Existirão ainda, no seu interior, construções cujas paredes, voltadas de frente para o mar, foram destruídas pela exposição a ondas gigantes, mas com paredes laterais conservadas e intactas.

As camadas foram detectadas até 7m acima do nível do mar e estendem-se por centenas de metros para o interior. Investigadores internacionais, entre eles arqueólogos, geólogos, e especialistas em tsunamis, encontram-se no local e prosseguem com as escavações no interior.

"De repente, um monte de depósitos começaram a fazer sentido para nós. Esta foi uma grande onda ", disse C. Sinolakys, especialista em tsunamis da Universidade da Califórnia, que já participou anteriormente noutras pesquisas em busca da Atlântida.
"O estudo de tsunamis antigos está na sua infância e não temos, até agora, sabido realmente o que procurar. Mas os mais recentes e devastadores tsunamis, como o do sudeste asiático (2004), o do Chile (2010), e o do Japão (2011) têm-nos ensinado sobre o tipo de depósitos que deixam atrás de si.", acrescentou ainda.

A Carrapateira tem o raro condão de inspirar uma grande diversidade de sentimentos que enleiam os nossos sentidos e nos invadem completamente. Quando percorremos as falésias fustigadas pelo vento norte, olhamos o mar revolto embatendo nas rochas que se erguem nas águas azuladas e de repente nos viramos para as loiras areias onde a Ribeira da Carrapateira parece adormecer, somos possuídos por uma estranha vertigem que nos fascina e inquieta.
É um lugar diferente, feito de falésias, dunas, mar, vento, céu, luz, sol; uma imensa variedade de azuis e verdes cheios de encanto, muitos perigos nas escarpas escorregadias, e magia!


E escondida, uma civilização mítica e perdida... Até agora :)» (Maria, 1-04-2015)

E lá fomos nós ;)

Mais sobre a Carrapateira:

- Carrapateira - História e Tradições. J.A. Sarmento; J.M. Marreiros (1993).

- Lugares pouco comuns (2009): Spelaion.blogspot.pt



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Caminhada na Natureza, PN Tejo Internacional, Portugal, 20 e 21 de Agosto de 2010



Circuito das "Portas de Ródão" e da "Aldeia de Xisto da Foz do Cobrão"



Um tributo à Natureza e às Pessoas
que compartilham
a amizade, o companheirismo, a inspiração e a superação,
caminhando lado a lado, nestes momentos mágicos

O meu Bem-haja,
 Maria