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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Natal

 "Natal

    Já não sei dizer Natal como sabia,

    quando meu Natal, em minha aldeia,

    era um presépio de musgo e de areia

    e um menino adorando o Deus menino.

    A família inteira, sentada ao borralho,

    fazendo horas para a missa do galo

    nessa noite fria cujo fogo nos aquecia

    e nos dava alento para o ano inteiro.

    Vou reaprender a dizer Natal, este Natal,

    para que possa voltar a ser

    alma de pássaro criança,

    nestas memórias de infância.

    Para que Deus me dê

    nova estrela de Belém

    que nos leve ao mais além.

    Mas serão precisos muitos desses dias

    para que, mais uma vez, possa nascer,

    em figura humana, o meu Messias."
    
José Adelino Maltez (2002). Sphera, Spera, Sperança. Editora Sopa de Letras.

Imagem: "Natal". Beira, Região Centro; Portugal. 2018.

Em Terras de Xisto distantes,
no coração de Portugal,
vagueiam gentes, dores, passos e memórias
próximas de nós.
Lá, nessas terras, ainda há Natividade, Infância...
Ainda há verde, vida, branco...
ainda há Natal, ainda há esperança.

Bom Natal
_/\_
abraço, Maria

domingo, 4 de novembro de 2012

Santórios



Quando era criança ia sempre pedir os Santórios na minha aldeia. 
Logo de madrugada encontrávamo-nos no adro da Igreja e aí íamos nós de porta em porta, aos bandos...

Partilho, os Santórios de 2012, entre a Beira e o Alentejo (Portugal), 
com Papas de Milho Doce, Broas de Mel, Romãs, Marmelos e Maçãs :)

E um grande Bem-Haja.
A todos,
A quem caminha, ainda, pelos Santórios
enchendo as suas sacolas com laços, raízes e tradição.
 A quem dá e a quem recebe, 
com generosidade e paixão.
A quem transforma a partilha, 
num abraço único de harmonia, força e renovação
que enche o coração.
 Maria


 


Mais informação:

Sobre os Santórios!

«Dia 1 de Novembro, há crianças que nas aldeias de Portugal agarram em sacos de pano, logo de manhã bem cedinho, e vão pedir os "Santórios", de porta em porta.
Nos seus sacos vão cair broas, castanhas, romãs, maçãs... ou ainda outras dádivas, conforme a vontade das pessoas a quem são pedidos...

E sem esquecer as cantilenas:

"Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
P'ra vir dar um tostãozinho..."

(quando os donos da casa dão alguma coisa)

"Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
aqui mora algum santinho."

(quando os donos da casa não dão nada)

"Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho..."»


"Em tempos muito remotos, no dia de Todos os Santos - Sanctorum - distribuía-se uma espécie de pão bento. Daí, dos Sanctorum, provirá o nome de Santoros ou Santórios e o costume. (...) Nos Açores, chamam Pão de Deus, provindo tal designação do pão bento que era distribuído aos pobres em eras remotas." (Bento Lopes)

"Moisés Espírito Santo divide as festas e cerimónias agrárias em três grandes ciclos, estreitamente relacionados com o trabalho agrícola e o espírito comunitário aldeão:

1º) O ciclo da germinação ou a morte colectiva
(Carnaval, «Testamento de Judas» e «Serração da Velha»);
2º) O ciclo da floração ou o despertar
(Páscoa, Festa da Espiga, Festa da Sesta e Fogueiras de Junho);
3º) O ciclo das colheitas ou da partilha
(descamisadas, Todos os Santos, São Martinho, noites de fim do ano).
«As festividades do ciclo da germinação representam uma ruptura na consciência colectiva do grupo.
Desde o princípio da floração, o grupo refaz progressivamente a sua unidade, a partir de bases novas e de novas uniões matrimoniais ou sentimentais, para se encontrar em plena harmonia no princípio das colheitas, momento a partir do qual tentará a sua sobrevivência, graças à partilha.
Deste modo, as festividades aldeãs, através da arte popular, representam o ciclo completo da vida: nascimento, morte e renascença do grupo, e que é paralelo ao trabalho agrário, de que depende a comunidade.»"
(http://documentos.aguim.net/artigos/tradicoes.html)


"Ciclo da Colheita e da Partilha...
Ao começo do Inverno, a construção do calendário cristão associou o Dia de Todos os Santos (dia 1) e o dia de Fieis Defuntos (dia 2).
Durante este período, as comunidades intensificam as relações dos seus membros numa auto-referência a si próprios, numa centripetria dos grupos, ao mesmo tempo que se abrem para formas diversificadas de comunicação com os seus antepassados - os mortos, aqueles que traduzem a comunidade na sua maior amplitude e na sua maior profundidade, e de certa forma dão sentido à comunicação dos vivos, por lhe devolver a identidade das suas origens, da sua inserção e da ancoragem no tempo.
Deste modo, prevaleciam as ofertas de natureza alimentar dos padrinhos para afilhados e dos afortunados ou generosos aos pobres e às crianças que, de cesta no braço ou sacola ao ombro, pediam o santoro de rua em rua, de porta em porta..."
(http://www.cm-idanhanova.pt/media/21053/G19J1Z2L_CATALOGO_DOCES.pdf)


Sobre o Samhain e o Halloween!


A Festa ou festival de Samhain comemora a passagem do ano dos Celtas, de 31 de Outubro para 1 de Novembro. Marca o fim do ano velho e o começo do ano novo. Noite do fogo novo e da inspiração. (Borda D'Água)

Celebração Celta, com grande influência na Galiza e Norte de Portugal.
Nesta noite, os Celtas, povo com profundas crenças na imortalidade da alma, acreditava numa comunhão com o espírito dos seus antepassados.
Na Galiza e Norte de Portugal, faziam-se fogos sagrados com ramos de sorveira brava e teixo com que se alimentavam as lareiras das casas. Também se usavam cabaças iluminadas por dentro.
Vários séculos depois, esta tradição, que ainda se mantém, tem continuidade nas festas de Halloween, que se expandiram para os Estados Unidos, Canadá e Austrália, levadas pelos ingleses e irlandeses no século XIX.